100 anos de Vinicius

Vinicius de Morais
*19/10/1913 – Rio de Janeiro (RJ)
+ 9/7/1980 – Rio de Janeiro (RJ)

Poeta / Compositor / Teatrólogo / Jornalista /Diplomata.

Celebrar o Centenário de Vinicius de Moraes é sinônimo de Poesia, Música e Paixão três vertentes que permearam sua vida e obra.

Poesia, Música e Paixão – Tudo Misturado.

 

Considerando-se que antes de nascer seu pai já havia lhe dedicado um soneto, a poesia nasceu antes de Vinicius chegar ao mundo. A partir daí sua trajetória se desenrolou envolta na mais pura, forte e arrebatadora emoção.

 

Com vocação poética manifestada nos tempos colegiais ele realiza suas primeiras incursões na música popular, no finalzinho dos anos 1920, quando trocou figurinhas com os irmãos Tapajós – Paulo, Haroldo e Osvaldo. Dessa amizade nasceram algumas canções, entre as quais o elogiado fox “Loura ou morena”, de Vinicius e Haroldo Tapajós.

 

Loura ou morena” (Vinicius de Moraes/Haroldo Tapajós) # Irmãos Tapajós. Disco Columbia (22138A), 1932.

 

No ano seguinte (1933) Vinicius escreveu letra para o fox  “Dor de uma saudade”, com música de Joaquim Medina, e para a valsa “Canção para alguém”, com Haroldo Tapajós, ambas gravadas na RCA Victor.

 

Ouça abaixo, clicando no nome da música.

Dor de uma saudade” (Vinicius de Moraes/Joaquim Medina) # João Petra de Barros. Disco Victor (33693A), 1933.

Canção para alguém (Vinicius de Moraes/Haroldo Tapajós) # Irmãos Tapajós. Disco Victor (33760B), 1933/1934.

 

Estas composições foram apenas um aperitivo, pois Vinicius somente voltaria a compor em 1952, com “Quando tu passas por mim” – parceria com Antônio Maria -, gravada por Aracy de Almeida.

Quando tu passas por mim” (Vinicius de Moraes/Antônio Maria) # Aracy de Almeida. Disco Continental (16820A), 1952.

Depois do aperitivo musical ele se voltou mais à poesia. Em 1933 publica seu primeiro livro – “O caminho para a distância” -, na Schimidt Editora. No breve texto de abertura, o poeta diz:

Este livro é o meu primeiro livro. Desnecessário dizer aqui o que ele significa para mim como coisa minha [...]. São cerca de quarenta poemas intimamente ligados num só movimento, vivendo e pulsando juntos, isolando-se no ritmo e prolongando-se na continuidade, sem que nada possa contar em separado. Há um todo comum indivisível“.

 

 

Após 75 anos da primeira edição a Companhia das Letras relança (2008) “O caminho para a distância”, oportunizando aos leitores acesso a um livro marcado pela intensidade dos temas, dos sentimentos e da linguagem, escrito por um poeta que – com apenas dezenove anos – surpreendeu o público e a crítica com seus dramas místicos e existenciais.
O Poeta na Madrugada

 

Quando o poeta chegou à cidade
A aurora vinha clareando o céu distante
E as primeiras mulheres passavam levando cântaros cheios.
Os olhos do poeta tinham as claridades da aurora
E ele cantou a beleza da nova madrugada.
As mulheres beijaram a fronte do poeta
E rogaram o seu amor.
O poeta sorriu.
Mostrou-lhes no céu claro o pássaro que voava
E disse que a visão da beleza era da poesia
O poeta tem a alegria que vive na luz
E tem a mocidade que nasce da luz.
As mulheres seguiram o poeta
Oferecendo a tristeza do seu amor e a alegria da sua carne
O poeta amou a carne das mulheres
Mas não envelheceu no amor que elas lhe davam.
O poeta quando ama
É como a flor que murcha sem seiva
Porque o amor do poeta
É a seiva do mundo
E se o poeta amasse
Ele não viveria eternamente jovem, brilhando na luz.

Quando a nova madrugada raiou no céu distante
O poeta já tinha partido
E seguindo o poeta as mulheres de peitos fartos e de cântaros cheios
Falavam de ardentes promessas de amor.

 

Ao longo da sua trajetória publicou inúmeros livros, que podem ser consultados no Site Oficial Vinicius de Moraes. Além disso, produziu amplo acervo lítero-musical universalmente consagrado, do qual pretendemos selecionar alguns dos mais tocantes, abordando-os em futuros posts.

 

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Fontes:

- Site IMS (Instituto Moreira Salles).

- Site Oficial Vinicius de Moraes.

- Site YouTube.

- Vinicius de Moraes: Nova História da Música Popular Brasileira. 2ª ed. revisada e ampliada. São Paulo: Abril Cultural, 1977.

 Fonte: GGN/Laura Macedo

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