Aumento de produção da Petrobras em 2014

1a

Há quem aposte que a Petrobras vai começar a virar o jogo com aumento da produção de petróleo em 2014, depois de uma desvalorização acionária superior a 50 por cento nos últimos quatro anos.

O ponto de virada para as ações pode ocorrer a partir do segundo semestre, assim que ficar mais claro o aumento de produção, estimado entre 5 e 6,5 por cento neste ano por analistas de mercado e especialistas da indústria petrolífera ouvidos pela Reuters.

Mas alguns consultores apontam fragilidades da Petrobras, como a defasagem no preço dos derivados, que gera prejuízos bilionários para a divisão de Abastecimento, e o elevado endividamento da companhia para fazer frente aos vultosos investimentos exigidos pelo pré-sal.

2a

A dívida e a defasagem podem limitar o ímpeto decorrente de um aumento de produção. Afinal, comprar ou vender Petrobras?

COMPRAR

Após dois anos de queda na produção e de outros dois de crescimento inexpressivo, a estatal brasileira vai conseguir retomar o fôlego em 2014 rumo à ousada meta de extrair 4,2 milhões de barris de petróleo equivalente por dia em 2020 –volume que faz jus às maiores descobertas do mundo realizadas na década passada.

“Perdemos um pouco de tempo, mas agora vai”, afirmou à Reuters o analista Caio Carvalhal, da divisão de petróleo do JP Morgan, para quem a produção crescerá cerca de 5 por cento em 2014 –desempenho que não ocorria desde 2009.

Analistas são unânimes nas projeções de alta na produção. Itaú BBA estima alta 6,5 por cento, enquanto o HSBC prevê aumento entre 5 e 6 por cento no volume, em linha com a maioria dos relatórios sobre o assunto. Os bancos estimam volumes crescentes ao longo dos próximos anos, com a consolidação da extração no pré-sal.

3a

A retomada ocorre após a produção ter sido afetada por atrasos na entrega de equipamentos por fornecedores e mais rigor nas normas de manutenção de plataformas impostas pelo órgão regulador do setor, a ANP, o que elevou o número de paradas nas unidades.

O geólogo e consultor John Forman, ex-diretor da ANP, ponderou que a queda de produção da Petrobras nos últimos anos era esperada, devido ao redirecionamento dos projetos da companhia logo após as descobertas gigantes do pré-sal, em meados da década passada.

Mas, a partir deste ano, a petroleira aumentará a produção com a operação de projetos atrasados e a entrada de plataformas previstas no cronograma de 2014, com pelo menos nove sistemas novos de produção ou em fase de crescimento (ramp-up).

4a

A Petrobras ainda não falou oficialmente sobre números para a produção em 2014.

O aumento da produção da Petrobras, segundo alguns especialistas, resultará em maior geração de caixa, pré-requisito para reduzir seu endividamento –o calcanhar de Aquiles da empresa.

“O mercado vê três razões para investir: produção, produção e produção… os outros problemas se equacionam como consequência”, disse o analista do JP Morgan.

Mas o processo de recuperação dos papéis da estatal não deverá ocorrer imediatamente, comentou Carvalhal, fazendo coro a outros especialistas.

O especialista do JP Morgan ressaltou ainda que parte do problema com a defasagem de derivados vendidos pela estatal a custos menores que os de importações será aliviado com a entrada em operação da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, no final do ano.

Além disso, devido à crescente alavancagem, a Petrobras poderá reavaliar o prazo de alguns projetos e a maneira de divulgar este planejamento, acrescentou o Itaú BBA, em relatório recente ao mercado.

5a

A execução do plano deverá levar em conta variáveis como a evolução da relação entre a dívida e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Petrobras, o aumento da produção e a paridade de preços, segundo o banco.

“Esta poderia ser uma solução adequada do ponto de vista das agências de classificação de crédito”, avaliou o Itaú BBA, acrescentando que desta forma a empresa poderia estabelecer patamares em relação aos níveis de dívida e aos gastos futuros.

VENDER

Uma série de relatórios de bancos de investimentos, porém, aponta que o esperado aumento da geração de caixa da Petrobras neste ano não é suficiente para eliminar as dúvidas do mercado quanto à capacidade da empresa de bancar o plano de investimentos de 237 bilhões de dólares em cinco anos (o maior do mundo).

A empresa produziu 1,93 milhão de barris de petróleo por dia no Brasil em 2013, retroagindo a patamares de cinco anos atrás.

Alguns especialistas da indústria petrolífera comparam a atual experiência da Petrobras no pré-sal com seu pioneirismo em águas profundas, na década de 1980. Na ocasião, a estatal estava dividida em se lançar no ousado plano de exploração a profundidades superiores a 500 metros, com muitos críticos questionando a viabilidade comercial e sua capacidade financeira para a empreitada.

6a

“A comparação com a década de 80 é válida para ilustrar o aspecto da produção, do desafio tecnológico, mas naquela época o caixa da Petrobras não era tão ruim quanto está hoje”, ponderou o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires.

Pires teme que as importações de gasolina e diesel sem o repasse de preços internacionais ao mercado interno continuem afetando o resultado da empresa.

Com as eleições neste ano, ele e vários outros analistas avaliam que um necessário aumento de preços dos combustíveis, se não ocorrer logo, ficará para depois do período eleitoral, no final de 2014.

Isso prolongaria a agonia imposta pelo governo, sócio controlador da empresa, que teme efeitos inflacionários e segura repasses.

A política tem gerados grandes prejuízos para a divisão de Abastecimento da empresa, que registrou perdas de 5,52 bilhões de reais no terceiro trimestre, contra prejuízo de 5,65 bilhões de reais em 2012.

7a

Com tais perdas e diante dos grandes investimentos para produzir no pré-sal, o endividamento total da petroleira disparou no ano passado, passando de 196,3 bilhões de reais em 31 de dezembro de 2012 para 250,8 bilhões de reais em 30 de setembro. Já a relação dívida/patrimônio líquido, que mede a alavancagem da companhia, subiu de 31 por cento para 36 por cento em 30 de setembro.

Citando preocupações relacionadas à defasagem de preço, o banco HSBC reduziu na segunda-feira o preço-alvo da Petrobras de 19 para 15 reais.

“O governo tem pouca oportunidade de resolver a questão da política da precificação até o final do ano”, disse o HSBC, acrescentando que a empresa continua exposta a qualquer depreciação do real.

Fotos: Petrobrás
Fonte: Reuters/Sabrina Lorenzi

 

Comentários