Hoje eu queria te dar

Hoje eu queria te dar.

7

Não, não quero fazer amor, obrigado. Quero uma boa e verdadeira foda. Preciso levar uma surra de sexo. Daquelas em que a gente sai dolorida, porém satisfeita. Cansada, mas leve. Estou com vontade de me perder e não mais me encontrar, de gritar sem me preocupar se estou sendo ouvida. Tudo isso para acender um cigarro de liberdade, dormir o sono do gozo, relaxar após o orgasmo.

Quero dar com vontade, abraçar o teu membro com força e calor. Aquecer teu corpo, compartilhar o suor, transgredir o óbvio, lubrificar a alma, invadir o teu senso de racionalidade. Na hora H, não há espaço para a razão. O tesão é passional.
5
Preciso dar de uma forma violenta, afinal a dor e o prazer são parceiros sexuais e eu adoro participar dessa orgia de sensações. Mordidas, puxões de cabelo e até uns tapas são permitidos. Não há limites para gozar e eu quero mais, exijo a felicidade para o meu corpo.
Vou dar durante horas. Não irei abandonar a pele daquele homem, sem a garantia do meu riso de alívio, sem deixar marcas do meu néctar de prazer por toda parte, sem que ele leve daqui o meu gosto na boca. Vou dar meu amor, minha vontade, minha língua e meu sexo. Vou me entregar por inteira, pois só assim, serei eu mesma.
Vou dar aquilo que é teu, que já conquistaste, já dominaste. Me pega, me bate me xinga e me ama. Me usa, me joga, me fode. Me morde, me beija, me ganha. Não quero suavidade, preciso de intensidade. Não me venha com romantismo, estou louca é pelo fogo da carne, pela paixão na pele.
Quero dar de quatro, de pé, por baixo, por cima, de lado, sentada. Quero ser tua e quero te comer. Degustar cada parte do teu corpo, lamber cada gota do teu prazer. Quero dar, para lembrar como sou feliz e também para esquecer de como é triste a vida sem teu cheiro. Não, não quero libido sem pecado, gosto mais do proibido. E não me venha com amor consumado, transa com meias ou pudor no lugar de malícia. Entenda que minha necessidade rima com liberdade.
8
Preciso me dar esse presente.
Quero te dar.
Beijo, te amo
Fotos: SwannSong’s Erotica
Fonte: Chico Garcia

O prazer feminino

30

Antes de qualquer coisa, uma confissão: eu me masturbo. E não é pouco. A sua namorada se masturba, a sua mãe se masturba, a sua tia, a moça de óculos com cara de recatada que senta ao seu lado na sala de aula, aquela senhora de meia idade que cruza com você na fila do cafezinho no trabalho. Todas nós buscamos o prazer saudável e solitário que só a masturbação é capaz de nos presentear: no redtube, na literatura erótica, nos grupos eróticos no facebook ou na nossa fertilíssima imaginação – que nem sempre contempla aos homens que amamos.

Assim como vocês, nós podemos sentir prazer imaginando uma transa proibida com o vizinho casado ou com aquele ator que você insiste em dizer que “não é isso tudo”.

Dito isto, me ocorre: porque exatamente isso é uma confissão? Porque não podemos, assim como vocês, dizer numa roda de conversa que nós sentimos prazer sozinhas e que adoramos o nosso vibrador novo?

O prazer feminino ainda é um tabu. E o mais ininteligível nisto é que nós, mulheres, que somos tão absurdamente sexualizados pela mídia, pela indústria pornográfica e pelo imaginário masculino de um modo geral, não podemos assumir essa sexualização quando se trata do prazer propriamente dito.

A sexualização feminina só é socialmente aceita quando convém; sexualizar o corpo da mulher em prol do prazer masculino nunca foi uma aberração.
Quem não se lembra do caso de Luana Piovanni – e do estardalhaço desnecessário pela aparição acidental de um vibrador ao fundo de uma selfie?

27

Quando ela – Luana – ou qualquer outra mulher aparece seminua numa revista masculina, não há indignação – afinal, peitos e curvas a serviço da masturbação masculina – essa sim aceita e, inclusive, incentivada – não são novidade. Mas admitir que esta mesma mulher pode sentir prazer sem o auxílio de um homem é absurdo, imoral, quase inaceitável.

É fácil admitir que a mulher pode ser sexualizada pelo homem – e aqui não estamos tratando de um sujeito específico, mas de um sistema, da lógica patriarcalista – mas é inaceitável que nós possamos usufruir, sozinhas, de nossa própria sexualidade.

O tabu da masturbação feminina vai além da hipocrisia: passa pela ideia de que nós não podemos sentir prazer sozinhas sem que isso fira de morte o ego masculino – já que o homem é dito, em todos os lugares do mundo e desde o início dos tempos, como o grande e indispensável provedor, aquele que satisfaz – em todos os sentidos – a sua fêmea.

26

Desconfio que é este pensamento que nos aprisiona nesse casulo de constrangimento quando se trata de nossa própria sexualidade; que faz com que ainda haja multilação genital na África e com que mulheres precisem usar pseudônimos para escreverem contos eróticos para que não sejam importunadas por desconhecidos.

O patriarcado prefere acreditar que nós precisamos dos homens para sentirmos prazer. Sinto informar: vocês estão redondamente enganados.

Fotos: Artistic Smut
Fonte: DCM/Nathalí Macedo

25

Memórias de uma advogada 1

35

A partir de hoje, ANÔNIMA escreve um folhetim para o DCM. ANÔNIMA é advogada e escritora, uma colunista de sucesso na internet brasileira. Está próxima dos 30 anos. A intenção é publicar um novo capítulo a cada semana. Os textos não são recomendáveis para menores de 18 anos.

Capítulo 1: Duas amigas

Éramos amigas. Eu sempre preferi amigas como ela: menos fotos no espelho e declarações baratas e mais fumaça, gargalhadas e maledicências.

Nosso assunto preferido eram os paus alheios. Ela, particularmente, conhecia mais do que eu. E os que a gente não conhecia viravam o centro da nossa especulação barata. Falávamos do tamanho, do diâmetro, da potência (ou falta de). Eu me sentia privilegiada por falar de paus em vez de sapatos.

36

O álcool sempre nos deixava a vontade – não que não pudéssemos falar dos paus alheios quando sóbrias, mas fazê-lo depois de uns bons drinks era infinitamente mais divertido.

Ela tem o tipo de naturalidade que te prende o olhar por horas, juro. Uma cintura marcada seguida de uns pneuzinhos que – pela quantidade de cerveja que ingere – ela não poderia deixar de ter. As pernas separadas, finas e bem torneadas, o joelho ossudo e charmoso, e o olhar. Ah, o olhar! Apesar disso, eu nunca cultivei – ao menos não conscientemente – um tesão genuíno por ela. Era, afinal, apenas a amiga com quem eu podia falar de paus sem ser surpreendida por olhares de espanto e hipocrisia.

Mas naquele dia o vinho estava mais forte. O chá era dos bons, o incenso, o blues, a meia luz.. Naquele dia falamos dos melhores paus. E descobrimos um assunto melhor, depois.

38

- Você já ficou com a Ana, né?
- Já, uma vez. O pau dela é dos grandes. – referia-se, provavelmente, à qualidade sexual da moça. Caímos na gargalhada pela centésima vez.
- E você, Nath? Já ficou com uma mulher?
- Fiquei, mas não cheguei a ver o pau. Era moça de família. – A coerência do nosso papo era proporcional ao teor de álcool e de erva.
- Cê curtiu?
- Pra caralho.

Ela chegou mais perto. Era menos agressivo que o “chegar mais perto” de um homem. Era despido de necessidade de auto-afirmação e transbordava a mais pura curiosidade e vontade. A língua era quente e o beijo era calmo, sem pressa; era o beijo o personagem principal. Não era figurante de uma transa posterior, quando tantas vezes acontecera comigo. O percorrer daquelas mãos no meu corpo tinha a mesma naturalidade da cintura dela. Os seios, pequenos, cabiam na palma da mão. A gente transpirava álcool e um desejo que não podia mais esperar. O beijo calmo foi incorporando um tesão avassalador – só tesão, não pressa – e as mãos ficaram mais ligeiras, espertas, eficientes. As quatro. As preliminares duraram o tempo necessário. Descobri aqueles seios com a língua, e a buceta não totalmente depilada, e incrivelmente molhada.

39

Prestes a explodir de tesão, fui presenteada com aquela língua no meu clitoris – ela sabia exatamente o que fazer. Gozamos, desfrutando como havia de ser. Sem esperar o depois, porque o agora valia a pena como nunca antes.

Nós nos descobrimos e descobrimos o quanto queríamos isso. Ela sorriu e, ainda bêbadas, gargalhamos pela centésima primeira vez. Ainda havia paus a serem descritos e garrafas a serem abertas.

Fotos: Desires of a Bi-Sexual Women
Fonte: Diário do Centro do Mundo-DCM/Anônima

40

Como conquistar um homem mais velho

1

Muitas mulheres se sentem atraídas por homens mais velhos. Elas dizem que eles passam maior confiança, têm uma personalidade mais desenvolvida e uma atitude madura para a vida.

Apesar disso, algumas delas sentem dificuldade em atrair esses homens. Para ajudar na conquista, o site Healthy & Beloved listou algumas dicas. Confira:

Faça amizade com ele
A atitude mais sensata é desenvolver uma amizade honesta com o homem mais velho, pretendente a namorado. Isso irá ajudar a levar o relacionamento mais lentamente, mas de forma constante e com compreensão mútua. Fica mais fácil para ambos avaliarem as intenções do outro e descobrirem a extensão de seus níveis de compatibilidade.

2

Defina expectativas corretas
Mostre seus objetivos claramente desde o início da relação. Se você está namorando com a intenção de se estabelecer, deixe seu parceiro saber exatamente isso. Mas se você estiver namorando um homem mais velho apenas para passar o tempo, avise e não o deixe com esperanças.

Não seja fútil
Homens mais velhos tendem a ser mais bem sucedidos do que os mais jovens e não apreciam o comportamentos fúteis. Se esforce para que você consiga se conectar com este homem no mesmo nível emocional e intelectual. Depois disso, procure a presença de uma atração física mútua, especialmente porque a diferença de idade pode ter efeito sobre a vida sexual das pessoas.

3

Tenha paciência
Homens mais velhos são muito menos impulsivo. Geralmente eles são mais reservados e não demonstram tanto os sentimentos. Esses homens simplesmente não sentem a necessidade de provar o amor de vocês em público e, portanto, descarte as cobranças sobre isso.

Seja você mesma
Prove que você não quer apenas um homem do seu lado e demonstre que você está interessada em contribuir para o relacionamento da forma como os homens mais velhos querem. Lembre-se: homens mais velhos já passaram a fase de exibicionismo e estão à procura de alguém que eles podem compartilhar a vida.

4

Deixe o homem mais velho ter cuidado
Permita que ele te mime quando quiser. Isso irá fazer você se sentir cuidada e especial (que mulher não gosta disso?) e também lhe dará a chance de ver seu lado carinhoso e protetor. Ele também lhe dará a oportunidade de confiar nele em decisões maiores que virão.

Controle os hormônios
Homens mais velhos são muito mais desinibidos e sem medo de não ter um relacionamento sexual momentâneo, o que leva a experiência de intimidade de uma mulher a um nível mais profundo. Controle seus instintos primais e trabalhe o exercício de maturidade. Os homens mais velhos são mais propensos a procurar companheirismo e o sexo apresenta menos destaque em sua lista de prioridades.

5

Fotos: Tʜє ᗯɪʟᴅ Sɪᴅє
Fonte: Amor & Sexo/Mulher.terra

A mulher que eu conheci

46

Certa vez conheci uma mulher na balada. Vestido curto, tatuagem no ombro, batom vermelho e o copo de bebida na mão. Sabe aquele olhar de mulher safada? Aquela que você olha e já sabe bem o que ela veio fazer ali. Essa tinha exatamente esse olhar, o que para mim era perfeito, já que eu havia saído de casa naquela noite com o mesmo objetivo.
Formulei algo engraçado para dizer na primeira abordagem. Ela sorriu. Conversamos por alguns minutos até que veio o convite para dançar. Mal sabia ela que eu era simplesmente irresistível nesse quesito. Depois de um ou dois copos aconteceu então o primeiro beijo. E que beijo! Tem gente que beija com a intensidade de quem faz compras de verduras no supermercado. Já outros são como um adolescente escolhendo o seu primeiro carro. Definitivamente ela era desse segundo grupo.
44
Acreditem em mim, o beijo foi surreal. Daqueles com direito a mordida no lábio, puxão de cabelo, mão por dentro da camisa e lambida na orelha. De duas uma: ou eu era naquela noite o homem mais gostoso do universo ou aquela mulher tinha bebido o triplo do que eu bebi na minha vida inteira. Foi impossível parar de beijá-la durante toda a noite. Quando fui deixá-la em casa e me perguntou se gostaria de entrar eu não pensei duas vezes. Sim, foi sexo no primeiro encontro. A melhor noite de sexo da minha vida. Foi aí que descobri que o forte dela não era o beijo.
Haviam habilidades ainda maiores. O sol chegou e nós ainda não tínhamos dormido. A vida correndo lá fora e eu ali ofegante, com aquela estranha deitada em meus braços. Antes de me despedir trocamos números de celular por mera formalidade. Todo mundo sabe que casais que vão para cama no primeiro encontro não tem como darem certo. Sabe, talvez se tivéssemos ido mais devagar as coisas poderiam ter sido diferentes. Quem sabe?
43
Muitos anos já se passaram e aquela noite ainda não saiu da minha cabeça. Curioso como algumas pessoas passam pela nossa vida e nem se dão conta de que deixaram marcas profundas.
Eu nunca mais vi a minha professora do primário, nem a minha namoradinha do curso de inglês, mas, a mulher que conheci naquela noite, nunca mais saiu da minha mente. Agora mesmo ela está ali na cozinha, preparando a lancheira que o nosso filho caçula leva para a escola. Depois vai vir aqui no escritório me dar um beijo igual àquele que ganhei na boate tempos atrás. De noite repetiremos mais uma vez nosso sexo selvagem. Não é de se espantar?
42
A moça do vestido curto se tornou a mulher da minha vida. Eu não sei bem como vai acontecer com você. Se vai conhecer seu grande amor na fila do pão, na sua festa de formatura ou no acampamento da igreja. Eu não sei se vão se beijar no primeiro encontro ou se farão sexo só depois do casamento. O que eu sei é que não existe regra para tudo isso dar certo. Vejam vocês a minha história. A mãe dos meus filhos gosta de beber, tem tatuagem e é uma depravada na cama. Ao mesmo é uma mãe incrível e um esposa fiel, carinhosa e companheira.
Nossa sociedade é mesmo repleta de normas e rótulos, felizmente a maioria deles não funciona o tempo todo.
Fotos: Les deux tentatrices
Fonte: Rodrigo Rodrigues
41