Nós não soubemos acabar

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Nós não soubemos acabar.

Nós não soubemos acabar. Isso hoje é claro para mim e, imagino, para você. Nós não soubemos acabar. Acabamos muito depois do que teria sido razoável. Acabamos não quando havia uma construção da qual nos lembrarmos e sim quando já não restava nada mais que ruínas que evocavam sofrimento e pesar numa dosagem desnecessariamente elevada. Existe um tempo para iniciar e existe um tempo para terminar. Errar no tempo para terminar é muito pior do que errar no tempo para começar. Num caso, logo compensamos as alegrias ainda não gozadas. No outro, é irreparável a dor que advém do prolongamento vão do que deveria ter sido encerrado lá atrás.

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Nós não soubemos acabar.

Pôr fim a uma relação amorosa é uma arte tão desafiadora quanto tocar com graça uma flauta. A covardia nos detém muitas vezes. Outras vezes, o desfecho é adiado por uma última, ou penúltima, ou antepenúltima, lufada de esperança. E há ocasiões em que nossa ação é impedida apenas por uma inércia para a qual não encontramos e nem buscamos explicação. Sei lá. Talvez nas escolas devesse haver uma disciplina que nos ensinasse a terminar uma história de amor. Nos ensinam álgebra e geografias remotas nas escolas, mas não nos ensinam coisas básicas da vida, como identificar o final de um caso e agir.

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Nós não soubemos acabar.

O fim em geral é claro, apenas a gente finge que não vê. Onde havia antes compreensão e tolerância, ergue-se a impaciência. Onde havia antes generosidade, ergue-se um rigor por vezes cruel. Onde havia antes ternura, ergue-se uma crescente grosseria. Onde havia antes disposição para dividir, ergue-se o egoísmo. O que foi amor virou desamor. Os fatos gritam. Mas as pessoas fingem não ouvi-los. Fingem muitas vezes demasiadamente além do aceitável. E então sofrem bem mais do que o necessário.

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Nós não soubemos acabar.

Fotos: Desires of a Bi-Sexual Women
Fonte: DCM/Fabio Hernandez

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Prova de amor é deixar ele ir

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“Eu nunca te amei, idiota”. Foi o que eu disse para te deixar partir. Se você soubesse, em algum momento, o quanto o amor que eu lhe tinha ainda era latente, teria ficado. E sido infeliz ao meu lado com um largo sorriso no rosto. Seu lugar era o mundo. O pouso, qualquer que fosse, seria o seu fim.

Se o teu sorriso me dá todas as respostas que sempre procurei, mas a tua vida ideal não está ao meu lado, convém que você vá; se os teus olhos pequenos ainda são os que vejo quando fecho os meus, e se o teu sorriso tímido ainda faz com que minha alma saia do corpo e viaje por outras dimensões, mas eu não me julgo capaz de te fazer feliz, então abrir a porta é a coisa mais decente que eu posso fazer.

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Desculpe se precisei te magoar. Dizer que o meu amor nunca foi teu, quando, puta que pariu, sempre foi e ainda é. Desculpe se precisei fechar na sua cara as portas da minha vida para que você visse que ainda há tanta vida lá fora – uma vida que ainda te fará sorrir quando eu estiver em crise.

Eu sempre te disse que não sou boa. E não seria boa pra você. Eu te contei da minha indecisão, da minha instabilidade irritante e do meu desequilíbrio eventual. Eu sempre te disse que eu não sou boa, e você quis ficar – talvez por amor ou (mais provavelmente) pela teimosia irracional de quem precisa pagar pra ver. Eu não quero que você pague pra ver porque, meu bem, o preço é alto.

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Se fosse um outro qualquer, eu juro que deixaria. Sem aviso, inclusive. “Cada um se ocupa com suas próprias feridas”, e, no fundo, eu nunca me importei tanto. Mas você – essa pessoa tão linda que é você – não merece os meus desamores coloridos de carinho.

Você sofrerá, como todo mundo na vida, mas não por mim. Talvez pelo meu adeus, mas passa logo. E quando passar, o sol brilhará de novo e você estará livre. E tem prova de amor mais genuína do que a liberdade embalada para presente?

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Não cabe na minha vida um amor tão puro quanto o teu. Não agora, no meio de toda essa confusão. Mas há milhares de outras vidas que cabem na tua. Boa sorte, amor. O mundo é teu.

Fotos: Les deux tentatrices
Fonte: Entenda os homens/Nathalí Macedo

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As mulheres não são complicadas !!

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Perdi as contas das vezes que ouvi homens e, até mesmo mulheres, dizendo que as fêmeas são complicadíssimas. Basta alguns minutos em uma roda de machos para esbarrar com afirmações que comparam a mulher com fenômenos absolutamente imprevisíveis e com coisas impossíveis de serem compreendidas pela lógica racional. Certa vez, em um churrasco, ouvi um cara dizendo que é mais fácil antever a vinda de um tsunami, sem instrumentos meteorológicos, do que prever a mudança de humor de uma mulher. Tenho um amigo que se casou três vezes e que, mesmo depois de tantos matrimônios e anos de convivência intensiva com exemplares do sexo feminino, faz questão de falar, com convicção: “Quanto mais convivo com as mulheres, menos as entendo!”.

Eu mesmo, por influência do discurso repetitivo e generalista dos homens da minha família, já fui do tipo que insiste em colocar as mulheres no mesmo patamar de hipóteses nebulosas, como a existência de vida fora da Terra e a reencarnação. Porém, acredite se quiser, depois de muito observá-las, com atenção extrema e real vontade de compreendê-las, hoje, sem medo, eu digo: entendê-las é bem mais fácil do que pintam por aí através de clichês, bordões e piadas de bar. E, se quer saber, apesar das emoções visivelmente complexas e dos hormônios notoriamente capazes de influenciar suas atitudes, acho que as mulheres são seres compreensíveis e bem mais fáceis de entender do que uma equação de terceiro grau.

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O primeiro passo para entendê-las é o mesmo necessário para a compreensão de qualquer troço que desconhecemos. Antes de qualquer coisa, se quisermos verdadeiramente saber aquilo que navega dentro da cabeça delas, precisamos parar de dizer “elas são um bicho de sete cabeças!”. Afirmar que você nunca as entenderá é um ótimo começo para continuar no breu da ignorância, sendo mais um dos tantos que preferem compará-las a coisas que nem Freud pode explicar.

A primeira coisa que precisa saber sobre elas é: a TPM é um espírito zombeteiro capaz de fazê-las agir de maneira irracional, multipolar e inesperada. Isso mesmo! Quando sua mulher mudar da água para o sangue, irmão, ao invés de compará-la com o clima mutante do Brasil ou de sugerir que ela tome remédios para bipolaridade, simplesmente aceite que, “naqueles dias”, ela agirá feito uma marionete instável e controlada pelos hormônios. Sabendo disso, fica bem mais fácil não pirar e não se sentir o mais ignorante dos burros. Enquanto ela estiver sob efeito do furacão El Chico, apenas faça o possível para desviar das facadas e para conter as lágrimas que brotam do nada. Com carinho sincero e chocolates que derretem na boca, é possível evitar as mordidas afiadas que buscam as zonas vitais. Se assim fizer e se, com maestria e paciência, sobreviver para acalmá-la no período de insanidade mental, ganhará muitos pontos com ela. E, com demasiada sorte, no Lulu.

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A segunda e não menos importante coisa que tem que entender a respeito delas é: o que elas querem, de verdade, não é dinheiro, não são rosas e muito menos aqueles cartões que já vem com mensagens prontas e universais. É claro que o dinheiro, em um mundo capitalista como o nosso, poderá proporcionar experiências interessantes, carne de primeira e ambientes refrigerados. É óbvio que um belo buquê somado a um cartão genérico, apesar dos dizeres universais, fará com que ela sorria. Mas, o mais importante, sem dúvida alguma, são as demonstrações que enfatizam o quanto você a percebe como peça única, em meio a esse extenso quebra-cabeça chamado população mundial. Entendeu? As flores são lindas, ninguém duvida disso, mas, se optar por elas como presente, não deixe de utilizá-las como argumento para exposição do quanto você repara nas particularidades da sua mulher. Como fazer isso? Simples! Não deixe a vendedora da floricultura dizer qual flor você deve dar à moça que você ama. Escolha você aquela que mais combina com ela e que fará com que ela pense: “Caramba, ele realmente prestou atenção quando eu disse que minha cor preferida é o lilás e quando eu parei para fotografar as orquídeas que brotaram na minha rua!”. Talvez você toque a campainha dela com um cacto em mãos, ao invés de portar um pomposo arranjo de rosas colombianas. Mas se esse estranho espinhoso vegetal for um símbolo do quanto percebeu a unicidade da sua mulher, saiba que, graças a ele, incitará alegria incontestável.

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Ela tem alergia a flores? Não se desespere. Você possui, ao seu alcance, diversas formas de mostrar a ela que a conhece bem e que presta atenção nas minúcias dela. Pedindo para o garçom desligar o ar condicionado do restaurante, antes mesmo de ela dizer que está morrendo de frio, por exemplo. Já que sabe o quanto ela sente dor nos pés depois de usar salto quinze, que tal fazer uma massagem nos pés dela assim que chegarem em casa, depois do casamento e antes mesmo que ela tenha a chance de se queixar de cansaço? Não espere ela pedir, faça. Garanto que pequenas atitudes como essas farão com que ela se sinta compreendida ao seu lado.

Por fim, mostre que a entende, muitas vezes, mais do que ela mesma é capaz. Agora é a hora que me perguntará: “Como posso entendê-la mais do que ela mesma consegue, sem ser vidente ou cartomante?”. Saiba que olhá-la de fora, em muitos casos, permite uma percepção mais clara e nítida das características pessoais dela. É mais fácil entender um furacão quando não estamos rodopiando dentro dele. A mesma lógica é válida no entendimento da sua mulher. Se olhá-la à distância, perceberá, com clareza, sintomas que nem ela sabe expressar ou que, por vaidade, vergonha ou falta de autocompreensão, ela não assume ou nem sabe que tem. O genial poeta Paulo Leminski possui uma frase muito interessante: “Repara bem no que não digo”. Por isso, irmão, não hesite em prestar atenção no silêncio dela. Porque se realmente quiser captá-la, precisará de muito mais do que palavras e indícios mastigados.

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O que as mulheres querem? Eu sei! Elas anseiam por demonstrações que as façam se sentir especiais e únicas. Elas não querem e nem esperam que repare nas imperfeições delas, mas querem que demonstre, com bilhetes particulares colados na geladeira e com beijos calmantes na ponta do nariz, que reparou naquilo que as torna diferentes do resto.

Captou a mensagem? Entender as mulheres não é tão difícil assim, é? Difícil mesmo é perceber quando elas cortam dois dedos do comprimento do cabelo. Complicado, de verdade, é entender o que o Stanley Kubrick quis dizer com o monólito negro voador que aparece no filme “2001: Uma Odisséia no Espaço”. Sua mulher, meu velho, só quer fugir do plural e ser percebida graças às muitas singularidades que carrega na passarela da vida.

Fotos: Les deux tentatrices
Fonte: Entenda os Homens/Ricardo Coiro

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Ela está a fim de você

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Muitos homens são inseguros com mulheres e só dão um próximo passo se tiverem certeza que a garota está na sua, com base nesse tipo de comportamento masculino resolvemos criar esse artigo que contém 20 sinais claros de que uma garota pode estar afim de você.

- Ela sempre fica te olhando ?

- Ela sempre busca tentar te ajudar de alguma forma e apoiar você sempre ?

- Quando ela diz algo em uma roda de amigos ela sempre presta atenção na sua reação?

- Quando você provoca ela, ela te bate de leve ?

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- Ela te faz perguntas pra tentar ser mais intima de você e te conhecer melhor ?

- Ela costuma te fazer elogios ?

- Ela fica mexendo o seu cabelo ao olhar para você ou quando está falando com você ?

- Ela tem interesse em saber das garotas que se envolvem na sua vida ?

- Ela toca em você e sempre tenta manter algum tipo de contato físico ?

- Ela sempre dá risada do que você fala e fica olhando de forma sorridente e alegre para você ?

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- Ela fala de você para as melhores amigas dela ?

- Ela puxa assunto com você nas redes sociais ?

- Ela sempre busca estar perto de você, se aproximando para uma conversa ou então até mesmo apenas passando perto de você ?

- Os olhos dela parecem mais brilhantes e suas pupilas ficam mais dilatadas quando ela fala com você ?

- Ela fica tímida e com vergonha quando está perto de você ?

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- Ela fica fazendo gracinha e te imitando ?

- Vira e mexe ela te esbarra, mesmo que pareça ser “acidentalmente” ?

- Fique atento as redes sociais dela, veja se ela joga algum tipo de indireta ou posta algum trecho de música que, provavelmente, se encaixa com o tipo de relação que vocês dois têm.

- Fique atento a reação das amigas dela quando você chega perto, se elas fizerem piadinhas e ficarem toda de graça olhando pra você e zoando ela, isso pode ser um claro sinal.

- Ela faz pequenas coisas valiosas por você e tá sempre ali pra te ajudar, ela oferece sua lição pra copiar, te oferece bala, um gole de sua bebida e coisas do tipo ?

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Você também pode também tentar ser mais direto inciando uma conversa com ela e vendo se ela fica meio envergonhada ou te trata de uma forma gentil demais, converse algo interessante, fale de outras garotas e observe se ela tem uma reação de ciúmes. O mais indicado é passar um certo tempo com ela antes de tirar qualquer conclusão, muitas garotas são gentis e legais com todos garotos e você pode acabar quebrando a cara, tente descobrir como ela trata outros garotos além de você.

Se boa parte dessas dicas baterem e você ver que ela está na mesma sintonia que você, tente ficar mais intimo dela e chame-a pra sair, depois disso é só sucesso.

Fotos: La Vetrina Di Eros in Bacheca
Fonte: Mulheres na sua Mão

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Os amigos na vida de um homem

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Éramos quatro amigos no carro. E vínhamos pela estrada, voltando à cidade. Fazia tempo que não nos reuníamos os quatro. Uma das coisas tristes da vida é que, com a passagem do tempo, vai ficando cada vez mais difícil juntar os amigos. E não existe ninguém com quem compartilhemos mais coisas, a quem abramos mais os desvãos da alma do que com os amigos. A intimidade, a cumplicidade, a solidariedade masculina é representada pelos amigos. Ali estávamos nós quatro, naquele carro que se movia maciamente pela estrada. Quem dirigia era Fast Fat, ou Sérgio. Fast Fat era como o chamávamos nos dias em que éramos viciados em correr de kart.

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Fast Fat era o mais duro obstáculo aos pilotos como eu. Ele podia estar uma volta atrás. Ou até duas. No entanto, disputava cada curva como se estivesse prestes a ganhar uma corrida de Fórmula 1. Punha o carro de um lado, de outro, impedia a passagem de todas as formas possíveis. E era simplesmente indiferente às bandeiras azuis que fiscais impotentes abanavam em sua direção. (Bandeira azul é para retardatários como Fast Fat deixarem passar). Quanta gente foi posta para fora da pista pelo contorcionismo de FF ao volante de karts frágeis demais para andar na frente diante do peso do piloto obstinado. Tenho minhas histórias de vítima para contar, mas fica para outra ocasião. Digo apenas que ri muito no dia em que FF, ou por defeito dele ou do freio, sabe-se lá, capotou espetacularmente. Tomou um susto, reclamou um pouco, deram-lhe um copo de água com açúcar e tudo bem. Uma capotagem justa, merecida.

No carro que voltava à cidade estava também Nelsinho. Gordo, ansioso, solidário, imperturbável perante as queixas que fazíamos quanto ao cheiro do cachimbo sempre atado a sua boca. Gente boa. Nelsinho tem aquela dose de ingenuidade ideal para quem gosta de pregar peças. Paramos num restaurante. Cada um comeu seu sanduíche. Nelsinho comeu dois e mais uma coxinha avantajada. Saímos primeiro. Ele ficou para pegar um enorme pão de semolina. Um de nós sugeriu: “Vamos pedir a ele para dividir o pão com a gente”. Só para brincar. Nelsinho, diante do pedido, agarrou-se ao pão firmemente enquanto dava desculpas inconvincentes para não dividi-lo. Sabíamos exatamente o que ele ia fazer. E, quando fez o que sabíamos que ia fazer, defender bravamente seu pão, rimos muito, como só velhos amigos riem.

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O quarto integrante daquele carro era o Zé. Tão ansioso quanto Nelsinho. E com uma imensa capacidade de rir de si próprio. A auto-ironia típica dos judeus. Zé vinha de um romance tumultuado, neurótico. “Começou com conta conjunta e terminou em baioneta”, dizia ele. Zé contava que, nos tempos da conta conjunta, via sempre seu saldo deslizar impiedosamente para baixo. Perguntava à mulher o que tinha acontecido. “Nada”, ela sempre respondia. “Não fiz nada de diferente”. Gastar mais do que o necessário talvez não seja mesmo nada de diferente para a maioria das mulheres (ia dizer todas, mas me refreei a tempo). Ríamos das lembranças romanticamente neuróticas do amigo Zé. Ele ainda mais que nós. Quantos casais não começam na conta conjunta e terminam na baioneta? Nada de novo sob o sol.

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Quase chegando, Fast Fat disse que aquela nossa viagem parecia um grande filme. Nós que nos amávamos tanto. Sim, era verdade. Como no filme, voltávamos do enterro de um amigo. O tímido, brilhante, mas mentalmente instável Guilherme. Morrera em circunstâncias confusas. Uns falavam em ataque cardíaco. Outros em suicídio. Agora me passa pela cabeça seu último telefonema, em que ele talvez estivesse pedindo socorro, e eu não percebi. Na viagem lembramos histórias divertidas de Guilherme. E rimos muito, nós que nos amávamos tanto.

Fotos: My Sweetness Black&White
Fonte: Diário do Centro do Mundo/Fabio Hernandez

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