Seu vibrador faz o que homens não fazem

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O segredo foi revelado: os homens estão desesperadamente ameaçados pelos vibradores das mulheres! Na verdade, muitos estão se ca**** de medo de serem substituídos pelo seu “coelhinho” ou “bullet” favorito. Ah, tá bom, você nunca ouviu isso dele? Bem, ainda, né, porque é fato que ele está escondendo a verdade de você.
Afinal de contas, que tipo de homem se sente intimidado por uma varinha de silicone idiota?

Só porque ela (às vezes) é maior e mais grossa que da maioria, e produz uma vibração que manda as mulheres pra outro planeta em menos de dois minutos? Qual é o problema?

Mas vejamos o preço disso: não dá pra fazer carinho num vibrador (até dá, mas quem se importa?), e eles também não dizem eu te amo (o que, na verdade, é uma ótima ideia), e um vibrador também não leva o lixo pra fora quando você pede com jeitinho.

Veja quais são as outras dez coisas que os caras não são pareos, de acordo com o The Stir:

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1. Eles vão exatamente onde você quer que eles vão.
Não precisa pedir absolutamente nada. Basta apontar o local e ele irá de muito bom grado.

2. Eles sempre acertam na pressão e vibração.
Sem supresas desagradáveis neste sentido. O que funciona melhor pra você? Mais rápido? Não tão forte, mas firme? Encontre literal e precisamente a sua própria ‘vibe’.

3. Eles são mais fáceis de controlar.
Pode apostar! Os homens eventualmente acabam perdendo o controle quando o assunto é sexo, mas com um vibrador você jamais vai se sentir vulnerável pela fraqueza dos outros. Ligar/desligar é a única opção real.

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4. Não há conversa envolvida.
Que tal cortar o papo furado e ir logo ao assunto? Não que você precise partir direto para a penetração do brinquedo; afinal, existem tantas possibilidades a serem exploradas antes…

5. Eles estão sempre prontos quando você está, 24 horas por dia 7 dias por semana. 
Simples assim: sem jogo, seja no romance ou a partida de futebol na TV.

6. Eles não têm que “esperar uma hora ou duas” porque não conseguem comer “o prato principal”.
“Você entende, não?”. Aparentemente, ok, mas no fundo é difícil entender. Como você pode estar cansado demais para transar? Tudo bem, você realmente pode ter trabalhado demais; só que é dose dormir sem essa. Ufa, ainda bem que você tem o seu vibrador na gaveta do criado-mudo.

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7. Eles podem ser surpreendentemente quietos. 
Ninguém vai ouvir (se você tapar a boca a tempo).

8. Eles são totalmente altruístas – sua própria satisfação é a única coisa que interessa. 
E nada mais.

9. Eles não se importam com o seu visual.
Muito menos com aqueles quilinhos a mais que você ganhou depois da adolescência.

10. Eles proporcionam prazer todas as vezes
Sem pular uma.

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Fotos: La Vetrina Di Eros in Becheca
Fonte: Sexo Oposto/Danilo Barba

O terceiro elemento

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Mauro e Letícia se conheceram no trabalho. Nada demais. Ele era do financeiro, e ela do RH. Na verdade, se conheceram quando ela o entrevistou para o cargo de “analista financeiro”. Aprovado e contratado, Mauro contou com a solidariedade de Letícia ao convidá-lo para almoçar com ela, depois de vê-lo almoçar sozinho por três dias. Os almoços puxaram conversas, que viraram longos papos, que combinavam com um sorvete, que pediam um cinema, que resultou em uns beijos, e em dois meses estavam namorando. Eram um casal “fofo”, como descreviam os amigos. Ela, social e falante, ele, tímido e caladão.

Vieram as afinidades, as brigas inerentes a todo relacionamento, os pés gelados se esquentando no frio, e todos os passos normais de um namoro normal. Até o dia em que Letícia lhe confidenciou, corriqueiramente como quem pergunta as horas em um elevador de manhã, que sempre teve a fantasia de fazer um ménage a trois, mas nenhum namorado nunca aceitou. Se Mauro não estivesse com a mente ocupada demais pensando que sua namorada acabara de lhe confidenciar que gostaria de ir para a cama com ele e com outra mulher, ele poderia até ter se espantado com o fato de nenhum namorado dela nunca ter aceitado isso. Depois de uns minutos de conversas, estabeleceram os termos e começaram a procurar o “terceiro elemento”. Letícia tentou cunhar o termo “terceiro membro”, mas Mauro prontamente rejeitou. Combinaram as proibições: fazer algo com o terceiro elemento sem o parceiro presente, acordado ou participando; falar que a outra mulher é mais gostosa que a Letícia; dormir os três juntos; se entreter tanto com a outra mulher a ponto de esquecer o Mauro. De resto, podia tudo, e, caso surgisse um impasse, resolveriam na hora, com a outra pessoa tendo o Voto de Minerva.

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Depois começaram a combinar como seria a busca pela outra pessoa. Ficou combinado que ambos poderiam sugerir nomes, mas Letícia faria a abordagem. Também não podia ser amiga íntima de nenhum dos dois, nem ser uma profissional – o que causaria bastante ciúme em Letícia. Depois de algumas sugestões de ambos os lados, conheceram, uma noite, uma amiga de uma amiga de Letícia, e se deram bem logo de cara. Ela era bonita, descolada, inteligente, boa de papo, e de cara ficou claro que ela havia agradado aos dois. Por coincidência, ou “força do destino”, como insistia Mauro, a nova amiga, de nome Anna, trabalhava em um banco na rua onde eles trabalhavam. Almoçaram juntos algumas vezes, os três, e, depois de perceberem uma intimidade maior, Letícia resolveu dar o bote. Em um happy hour com muitas bebidas coloridas e pouca comida, confidenciou a Anna a fantasia dos dois. E Anna, como era previsto, prontamente aceitou.

Mauro recebeu a notícia do sim de Anna mais feliz que criança que chega na escola e descobre que o professor faltou. Combinaram um queijos e vinhos na casa de Mauro. Depois de muito vinho e pouco queijo, Letícia, para o total e completo embabascamento de Mauro, partiu para a ofensiva e voou para cima de Anna, que retribuiu as carícias, e assim se deu início àquela noite louca e desvairada. A intimidade e o entrosamento entre os três eram tamanhos que quem olhasse de fora demoraria pelo menos dez minutos para contar três pessoas ali. Eram pernas, mãos, pés, braços, bundas, bocas, tudo pra lá e pra cá, sem censura, sem vergonha e com muito vinho. E pouco queijo. Por fim, dormiram juntos os três e já quebraram uma regra. No dia seguinte, acordaram sem nenhuma ressaca moral, Anna foi para a sua casa e a vida dos três seguiu normalmente. Por dois dias.

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Dois dias depois Mauro pensava em como falar para Letícia que gostaria que aquilo se repetisse, sem despertar ciúmes. Mas mais uma vez o destino salvou-lhe a pele: Letícia lhe telefonou no meio da tarde para dizer que havia almoçado com Anna naquele dia e a convidara para, em suas palavras “repetir a dose”, no dia seguinte. Avisado e concordado, no dia seguinte se encontraram e repetiram a dose. Dessa vez, com mais intimidade, vontade e menos censura. E mais queijo porque da primeira vez Mauro ficou com uma azia danada depois de beber tanto vinho sem comer nada. Mais uma vez dormiram juntos, e dessa vez, mais cansados. Mas no dia seguinte, Anna não acordou e foi embora. Eles acordaram e foram comer à padaria da esquina comer “um croissant divino”, nas palavras de Letícia. Croissant experimentado e aprovado, deixaram Anna no ponto de ônibus.

E isso se repetiu mais umas seis, sete vezes. Em menos de duas semanas. Mauro já até estranhava a casa vazia nas noites em que Letícia não convidava Anna para aparecer. E a evolução era palpável, sem trocadilhos. Em um dia Anna ficou para o café, depois para o almoço, depois para um filme depois do almoço, depois para dormir lá de novo “em um fim de semana de loucura”, de acordo com Letícia, culminando em quatro dias sem que Anna voltasse para casa, em um feriado prolongado. E tudo naturalmente, sem forçar nada. Até que um dia, em um restaurante, ao ver uma cena romântica na TV, Mauro beijou Letícia. E depois beijou Anna. E ninguém notou nada de errado. E na hora de se despedir, ambos, Mauro e Letícia, beijaram Anna na boca no momento em que esta subia no ônibus. E mais uma vez não perceberam nada errado. E todos acharam igualmente normal quando Letícia pegou o celular de Mauro e mandou uma mensagem para Anna, escrito: “estamos com saudades”, uma noite.

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Mas nada disso – repito, nada – foi tão decisivo para que esta relação desse um próximo passo quanto o dia que os três se encontraram, viram filme, jogaram Banco Imobiliário, comeram torta de banana, café, viram mais filme e foram dormir. Sem fazer sexo. E no dia seguinte, tudo se repetiu, mas com um sexo carinhoso e fofo no fim da tarde. E mais uma noite dormindo juntos. A partir deste dia, eles já eram três. Quando um chamava o outro para sair, o outro chamava a Anna. Quando um ia para a casa do outro, já chegava lá com a Anna à tiracolo. Iam ao cinema, ao parque, almoçavam, jantavam, faziam tudo juntos. Mas no dia em que Letícia estava doente e Anna foi à casa de Mauro sem ela, se percebeu que era a hora de os pingos serem colocados nos is.

– Ah, amor, não achei nada demais. A gente faz tudo junto, vocês saem sozinhas. Desculpa, não sabia que você ia ficar chateada…
– Mas aí que tá, por isso que te chamei pra conversar: eu não fiquei chateada. Só me fez parar pra pensar no que tá acontecendo, né. A gente tá praticamente namorando a Anna, cara.
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– Amor, que exagero! A gente só transa com ela.
– Mauro, a gente transa com ela, vai ao cinema com ela, janta com ela, almoça com ela, vê TV com ela, toma café da manhã com ela. Você sabia que já tem uma escova de dentes e três calcinhas dela no seu armário?
– Não!
– Pois é, mas tem.
– Mas isso não tem nada a ver, amor, é que ela vai sempre lá, mais fácil mesmo deixar lá.
– Mauro, qual o telefone dela?
– 97453-8321
– Qual o nome da mãe dela?
– Dona Denise
– O que ela queria ser quando era criança?
– Delegada.
– Que dia ela faz aniversário?
– 25 de julho.
– Você sabe quando tempo você demorou pra decorar o meu aniversário, Mauro? Oito meses. E mesmo assim você sempre chutava três datas.
Mauro não sabe o que falar.

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– Eu não tô chateada, Mauro. Eu adoro a Anna, ela é fofa, bonita, gosta das mesmas coisas que a gente. O problema é que eu acho que gosto dela até demais.
– Porra, não vai dizer que você vai me largar pra ficar com ela??
– Claro que não, seu animal!
– Então não tô entendendo.
– Você também não gosta dela?
– Gosto
– Você namoraria com ela?
– Ih, amor, sei lá. Eu te amo, nem penso nisso. Sei lá.
– E se eu falasse que eu queria tentar namorar com vocês dois ao mesmo tempo?
-Claro que eu namoraria ela, amor!

Depois de um longo e apaixonado beijo, decidiram chamar Anna para uma noite especial e fazer o pedido. Não era algo usual, não era como pedir alguém em casamento ou em namoro. Eles não sabiam se ela aceitaria. A campainha tocou, era Anna. Ela entrou e se espantou com a mesa posta, arrumada. Velas, meia luz. Ela logo se espantou.

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– Pô, pessoal, vocês não armaram isso tudo pra me dar um pé na bunda não, né? Pra eu não me sentir mal?
– Não, calma, é que… Antes de terminar a frase, Letícia foi interrompida por uma nervosa e tremulante Anna.
– Eu sabia, cara! Sabia que não ia dar certo, a gente tava muito juntos! Filminho, jantar, sabia que ia dar confusão! Mas tá bom, desculpa, nem precisa falar nada. Eu não vou mais incomodar vocês.

Mauro se levantou e pegou no rosto de Anna. Letícia chegou perto e falou, romanticamente:
– A gente quer que você namore com a gente, sua boba.

Anna ficou mais estupefata que menino de 11 anos vendo a calcinha da professora de inglês que sentou em cima da mesa. Ela não sabia o que falar. Mas aceitou, claro! E naquela noite, dormiram juntos como casal pela primeira vez, ou seja lá como se chama um casal de três pessoas. O primeiro fato a ser notado era a inveja que os homens tinham de Mauro. Letícia era loura, alta, pernas esguias e belíssimas. Anna era ruiva (natural, amigo, natural), baixinha, pernas grossas e uma bunda de fazer andar o trânsito de São Paulo. Alguns achavam que deviam ser parentes de Mauro. Outros achavam que era pegadinha e procuravam a câmera. Havia também os que duvidavam e desafiavam, incólumes: “beija as duas então”. E Mauro beijava, os três morriam de rir.

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Faziam tudo juntos, indiferentes aos olhares de estranhamento e às risadinhas. Eram felizes, os três. Mauro tinhas duas mulheres, e as mulheres tinham um homem, uma mulher e uma amiga. O que mais poderiam querer da vida? Nas festas de família – e agora eram três as famílias – eram a sensação. Todos perguntavam como era. Alguns achavam uma pouca vergonha, outros (quase todos) invejavam Mauro, outros não deixavam as crianças perto deles. E eles lá, felizes. Com seu melhor amigo advogado Mauro conseguiu oficializar, com um juiz, a união estável dos três, e em menos de 3 meses foram morar juntos. Tudo corria maravilhosamente bem, excetuando-se problemas cotidianos como uma cama de casal ser pequena para três pessoas dormirem todos os dias, quem deita no colo de quem para ver TV etc. Com a união estável oficializada, eram realmente um casal. De três. E foram o primeiro caso no Brasil de uma união estável legalizada entre três pessoas.

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Combinaram que teriam pelo menos dois filhos, um com cada uma das mulheres. Combinaram também que, dali em diante, toda discussão seria sobre os três, nunca discussões sobre as relações entre somente dois deles. O sexo somente entre dois deles era permitido, mas desde que o outro não quisesse participar por vontade própria. A mesma regra valia para idas ao cinema, teatro, jantares etc. A data de início de namoro entre Mauro e Letícia fora cancelada, e agora a data do começo do namoro era do dia do “sim” de Anna para os dois. Tinham agora menos problema do que tinham quando era somente Mauro e Letícia. Não havia ciúmes nem nada. As pessoas torciam o nariz, mas eles as ignoravam solenemente.

Comemoraram um ano, dois anos, cinco anos, e viajaram para Bali para comemorar dez anos juntos. E um “casal” de três pessoas de quarenta anos era ainda menos corriqueiro do que quando tinham trinta. Mas eles continuavam felizes e alheios. Ainda mais com os dois filhos – cada um a cara de cada mãe, e ambos lembrando o pai. A menina, de três anos, se chamava Jéssica. O menino, de sete anos, se chamava Douglas. Ele, ruivinho, ela, loura que nem uma princesa da Disney. E na escola, falavam de suas duas mães como se fosse a coisa mais normal do mundo. E era, pelo menos para eles. E cresceram, envelheceram, e foram muito felizes. Tirando o prejuízo que era ter que comprar dois presentes e convencer os professores a separar duas cadeiras só para elas no Dia das Mães, eram uma família bem normal. Bem normal como qualquer outra família “normal”. Ah, e no sofá, Mauro se senta no meio, e Letícia e Anna deitam uma para cada lado. Não se pode ter tudo na vida.

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Fotos: My Sweetness Black & White
Fonte: Entenda os homens/Léo Luz

O homem que as mulheres querem

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Que características você, homem, deve ter para interessar aquela criatura suave e cruel, delicada e tirânica, sublime e miserável, generosa e avarenta, capaz de nos levar ao céu e logo depois à sarjeta, mas, em duas palavras, irresistível e incomparável, portanto insubstituível — a fêmea 

Bem, você definitivamente não é o primeiro a se formular essa questão tão complexa, nem será o último. Um sábio indiano, Vatsayana, que viveu numa época que não se sabe precisamente, mas que estudiosos chutam em algum ponto entre os séculos IV e VI AC, se deteve na pergunta fundamental, a mãe de todas, da vida de um homem. Ele é o autor, ou pelo menos se imagina que seja, do Kama Sutra, que está longe de ser o manual erótico que muitos pensam que é sem ter lido, depois de ver apenas algumas ilustrações e ouvir de orelha dizerem que é.

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Para facilitar a minha vida e a sua, vou colar um trecho da Wikipedia sobre o Kama Sutra e Vatsayana:

“Ao contrário do que muitos pensam, o Kama Sutra não é um manual de sexo, nem um trabalho sagrado ou religioso. Ele também não é, certamente, um texto tântrico. Na abertura de um debate sobre os três objetivos da antiga vida hindu – Darma, Artha e Kamadeva – a finalidade do Vatsyayana é estabelecer kama, ou gozo dos sentidos, no contexto. Assim, Darma (ou vida virtuosa) é o maior objetivo, Artha, o acúmulo de riqueza é a próxima, e Kama é o menor dos três.”

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Bem, de volta ao Planeta Terra. Vatsayana, de cujo Kama Sutra recomendo vivamente a leitura, elaborou uma lista de atributos do homem a quem elas entregam o coração, a alma e as demais coisas menos elevadas espiritualmente que, francamente, também interessam a nós. São 14. Aos homens, sugiro que vejam em quantos se enquadram. Caso se dêem bem serão o objeto invejado e admirado de desejáveis fêmeas angustiadas.

Se não pontuarem bem, têm uma boa lição de casa, desde que persistentes e, mais que tudo, humildes para reconhecer fraquezas. Às mulheres, recomendo que verifiquem o grau de acerto ou não do velho indiano que investigou os mistérios metafísicos e físicos do amor.

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Os homens ideais, segundo ele, são:

1) os versados na ciência do amor;

2) os que têm habilidade para contar histórias;

3) os que conhecem as mulheres desde a infância;

4) os que conquistaram a confiança delas, mulheres;

5) os que lhes enviam presentes;

6) os que falam bem;

7) os que fazem coisas de que elas gostam;

8) os que nunca amaram outras mulheres;

9) os que conhecem seus pontos fracos;

10) os que gostam de festas;

11) os liberais;

12) os que são famosos por sua força;

13) os empreendedores e corajosos;

14) os que superam os demais homens em cultura, aparência, boas qualidades e generosidade.

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Fotos: Palavras Fotográficas/ lexi’s poisons/ L’âme en rouge et noir

Fonte: DCM/Fabio Hernandez

Aqueles seios tão disponíveis

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Então Nadja me deixou. Um novo amor apareceu para a vulcânica, inigualável Nadja, e eis aqui
o velho amor despachado para… Me vem à cabeça uma música cantada por Kurt Cobain no triunfo do Nirvana em Nova York ( o Acústico da MTV): despachado para onde sopra o vento frio e o sol não brilha nunca. Where the cold Wind blows. (Tenho para mim que é a maior interpretação da história do rock, mas este não é o melhor espaço para comentar isso.) 

Sob o risco de plagiar alguém (acho que a mim mesmo, na verdade), digo o seguinte. Entrar num relacionamento é como entrar num trem. Podem mudar as estações, mas o destino é sempre o mesmo. Tristeza, decepção, mágoa, adeus. O extraordinário é que nenhum de nós desiste de entrar no trem. É o que um grande frasista francês, La Rouchefoucauld (me digam, por favor, se estou fazendo citações demais; quando alguém chega ao ponto de citar sem convicção a si próprio é grave), chamava de triunfo da esperança sobre a experiência.

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Tive fé cega em Nadja e mim. Acreditei que nada poderia nos separar. Ninguém neste mundo, ou em qualquer outro, teria esse poder. É o que eu presumia, em meu otimismo romântico. Éramos como Romeu e Julieta, John e Yoko, Liz e Burton: dois que formam um. (A frase é meio vaga, admito, mas foi a melhor que encontrei: dois que formam um.) Mas eis que… eis que o trem chegou a seu destino inescapável.

Tive raiva. Vontade de espremer aquele pescoço tão delicado. De cravar um punhal naqueles seios durante tanto tempo tão disponíveis. Confesso tudo isso. E confesso também que senti a tentação de dizer que ao ser enxotado do trem reagi com a fria elegância inglesa. Mas não posso mentir.

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É muito bom sentir todas aquelas tentações sanguinolentas. Porque elas significam que foi bom. (Com Nadja não foi simplesmente bom. Foi o trem da minha vida, se me entendem.) E é ainda melhor não transformar as tentações em realidade. Porque a euforia efêmera do “justiçamento” cede lugar a um pesadelo de uma vida inteira. E, além do mais, se você suprime literalmente quem lhe deu um fora, você perde a oportunidade de dizer certas verdades que esqueceu de dizer. E a verdade é que a gente sempre termina um relacionamento sem dizer, por não nos ocorrer no tumulto do fim, verdades essenciais. E é preciso ter uma nova chance de dizê-las.

Alguma coisa de Nadja sempre estará em mim. Ou muita coisa. Você sempre desce do trem mais rico do que entrou. Li há pouco tempo um texto de Erica Jong (citando demais? Digam-me, por favor) em que ela falava de um namorado rústico que tivera num país remoto. O namorado rústico era casado e Erica escreveu uma frase que achei linda: eu preferia ser a mulher a cujos braços ele corria a ser a mulher de quem ele fugia.

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Erica terminava dizendo que sempre que lhe vinha à mente a palavra sexo imediatamente lhe ocorria a imagem do namorado rústico. Nem sempre sexo é uma palavra comovente, mas a reflexão de Erica – Oh, essa necessidade imperiosa de ser sincero – me deixou úmidos os olhos.

E então eu digo que sempre que alguém falar em paixão vou pensar em Nadja. E então peço licença para uma última citação.

Perdida, para sempre perdida, mas tão viva, tão linda, batendo os saltos na cidade da minha saudade.

Eu jamais conseguiria escrever uma frase tão linda como essa de Rubem Braga para Nadja.

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Fotos: My Sweetness Black & White
Fonte: DCM/Fabio Hernadez

iPhone vira câmera térmica

Um dispositivo disponível para iPhones transforma o smartphone em uma câmera térmica, identificando fontes de calor na imagem. A tecnologia, a mesma usada em equipamentos militares, deve chegar ao mercado apenas no final deste ano, mas foi oficialmente apresentada na CES (Consumer Eletronic Show) 2014, que acontece até o final da semana em Las Vegas, nos Estados Unidos. O Flir é compatível com o iPhone 5 e 5S e vai custar por volta de US$ 350.

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O dispositivo possui uma bateria interna que alimenta o par de câmeras por até duas horas, e também pode ser usado para carregar o próprio telefone. O dispositivo usa duas câmeras. Enquanto uma é responsável pela geração da imagem térmica real, a outra é uma lente de câmera padrão que o aplicativo do dispositivo usa para gerar uma sobreposição entre as imagens, tornando mais fácil reconhecer rostos humanos, objetos e até mesmo textos na imagem térmica.

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A geração da imagem com as fontes de calor, com as cores de acordo com a temperatura, acontece em tempo real. Basta apontar o celular para o ambiente para visualizar as fontes de calor no ambiente. A empresa já trabalha para lançar, em breve, a versão Android do dispositivo.

Fotos e fonte: Jornal GGN/Gizmodo

Colaboração de Renato F. Lima/Jornal GGN

Algumas observações:

1 – a FLIR é uma das mais respeitadas empresas de câmeras termicas.

2 – Uma entrada no site da FLIR (  http://www1.flircs.com/flirone/explore/  ) poderá dar um vislumbre das infinitas aplicações deste “brinquedo”.

3 – Uma câmera termográfica profissional passa fácil dos R$ 20.000.

4 – Algumas aplicações:

- ao andar em locais escuros, perceber a presença de pessoas e animais a longa distância;

- identificar pontos de falha de isolamento térmico em fornos e estufas;

- identificar problemas com portas de geladeiras, permitindo localizar pontos com fuga de frio, sem usar o truque do papel;

- identificar pontos de umidade em paredes, forros e pisos;

- identificar pontos quentes em pessoas e animais, permitindo a localização preliminar de inflamações;

- acompanhar a temperatura de crianças e pessoas dormindo, sem contato físico;

- identificar pontos quentes em instalações elétricas (por exemplo, uma tomada com mau contato, prestes a pegar fogo);

- identificar mancais e peças com defeito em motores e máquinas;

- para quem faz trilha de jeep ou a pé, ajuda a achar o caminho com neblina;

- etc, etc, etc, etc.

5 – A limitações mais sérias são a escala só até 100ºC e ainda só ter versão para iPhone 5, problemas que devem ser resolvidos logo.